A Fundação de Previdência do Estado do Amazonas (Amazonprev) aplicou R$ 50 milhões em Letras Financeiras do Banco Master em junho de 2024, meses antes de a instituição financeira ter sua liquidação decretada pelo Banco Central. O investimento, registrado no Relatório Anual de Investimentos de 2024, foi realizado em 6 de junho daquele ano, com vencimento previsto para 2034. O documento aponta que não há ata que comprove a aprovação da operação, etapa obrigatória segundo as normas internas da fundação.
A liquidação extrajudicial do Banco Master foi decretada na terça-feira (18), após um dia marcado por turbulências no mercado financeiro e pela prisão do presidente da instituição, Daniel Vorcaro, pela Polícia Federal, quando tentava deixar o país. Em meio à repercussão, o governador Wilson Lima declarou que a Secretaria da Previdência realizou uma vistoria nos contratos da fundação e garantiu que não há risco aos segurados. Em nota, a Amazonprev reiterou que a aplicação não compromete o pagamento de aposentadorias e pensões e que a instituição dispõe de receita suficiente para honrar todos os compromissos.
A ausência de registro de aprovação formal não é novidade. Em setembro de 2024, a própria Amazonprev informou que não localizou atas autorizando a compra das Letras Financeiras do Banco Master e do C6 Bank, comunicando que os casos seriam analisados pelo Comitê de Investimentos e pelos conselhos competentes. No mês seguinte, iniciou a portabilidade de custódia dos ativos para a XP Investimentos a fim de atualizar toda a documentação. Em maio deste ano, o Comitê de Investimentos relatou acompanhar a situação do Banco Master, especialmente após o Banco Central negar a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB), o que intensificou dúvidas sobre a capacidade do Master de honrar compromissos.
O caso ganhou novo capítulo em novembro, quando o Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas enviou ao Ministério Público uma notícia de fato apontando supostas irregularidades nas operações com o Banco Master e o C6 Bank, destacando que a aplicação de R$ 50 milhões teria sido feita sem deliberação do Conselho de Administração.
O episódio ocorre em meio ao colapso do Banco Master, cuja crise se aprofundou nesta semana. Após ser anunciado como alvo de compra pela Fictor Holding Financeira, o banco teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central, que nomeou a empresa EFB Regimes Especiais de Empresas para conduzir a administração especial. Com isso, todas as operações foram suspensas e os ativos da instituição passam a ser liquidados conforme determinação legal, impactando diretamente investidores que possuem títulos emitidos pelo banco.

