O presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou nesta terça-feira (20), em entrevista à TV Brasil, que não há erro no resultado final da primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou 351 cursos de medicina em todo o país. Segundo ele, cerca de 30% das graduações tiveram desempenho considerado insatisfatório, índice registrado quando menos de 60% dos estudantes alcançam proficiência, parâmetro que influencia diretamente o conceito Enade, cuja escala vai de 1 a 5 — sendo 1 e 2 classificados como insuficientes pelo Ministério da Educação (MEC).
Palacios reconheceu que houve divergência em uma comunicação prévia enviada às instituições por meio do sistema eMEC, relacionada ao número de estudantes considerados proficientes. De acordo com o presidente do Inep, o erro ocorreu apenas nessa informação preliminar, que foi posteriormente corrigida com base no desempenho real na prova e não foi utilizada no cálculo dos indicadores oficiais. Ele ressaltou que os boletins individuais dos participantes, os resultados divulgados para os cursos e o conceito Enade publicado estão corretos e não sofreram qualquer interferência da inconsistência identificada.
Apesar da explicação, associações que representam instituições privadas de ensino superior seguem questionando o processo. Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) afirmou que o próprio MEC e o Inep reconheceram inconsistências na divulgação dos resultados, citando a publicação de notas técnicas posteriores à aplicação da prova e ao prazo de recursos. A entidade avalia que as mudanças metodológicas e a forma de divulgação dos microdados comprometem a transparência e a segurança jurídica. Diante do cenário, o Inep informou que abrirá, a partir da próxima segunda-feira (26), um prazo de cinco dias para que as instituições apresentem esclarecimentos e manifestações sobre o cálculo dos resultados, etapa que antecede a eventual aplicação de medidas cautelares pelo MEC.

